O pior não é ser assaltado…
Autor(a): CoN
Era meio dia e dez, um sol desgraçado queimava o cocoruto da cabeça semi-calva do rapaz jovem que andava apressado pelas ruas movimentadas. Suava bastante dentro de seu terno azul marinho, e sentiu-se extremamente bem quando entrou no ambiente refrigerado do banco.
Pegou a longa fila do caixa. Tinha se oferecido (e já estava arrependido) para depositar um dinheiro para seu chefe, já que ele passaria perto do banco. Um senhor idoso brigava no caixa por algum motivo, enquanto mais oito pessoas na fila esperavam sua vez.
Enquanto deixava vagar seu pensamento por lugares onde gostaria de estar naquele momento e coisas que gostaria de estar fazendo, ouviu um burburinho que o trouxe de volta. E tudo aconteceu de repente.
Gritos, um tiro, e quatro figuras encapuzadas anunciaram o assalto. Todos pro chão. Caiu e bateu a cabeça com força em alguma quina, mas nem ligou. Seu coração estava disparado, nunca havia passado por uma situação de assalto antes. Suava frio agora, queria mais que tudo poder estar de volta à rua quente novamente, longe dali. Clima tenso, os homens encapuzados retiravam dinheiro do caixa agora, enquanto o segurança jazia perto da porta com uma contusão na cabeça.
Sirenes tocaram lá fora! Os bandidos perceberam o problema, rapidamente puxaram uns e outros para se protegerem, escudo humano. A polícia cercou o prédio. Na cabeça do jovem executivo, um misto de tranqüilidade e frustração lhe abatia. A polícia nunca lhe inspirou confiança, mas agora era sua única alternativa de sair bem daquela situação. Sentia a imagem começar a rodar, talvez de medo ou desespero.
A polícia anunciou qualquer coisa lá fora, ele não ouviu. Não era pra ele mesmo. Os bandidos se comunicaram, começaram uma negociação. De vez em quando gritavam com as pessoas no chão, deram mais dois ou três tiros para amedrontar. O jovem sentia-se atordoado, não sabia o que estava acontecendo. A situação era desesperadora, sua cabeça doía e ele estava com medo, mas isso não era motivo para ele estar fraco, com a vista escurecendo e tremendo. Sua cabeça doía! Ele lembrou-se, passou a mão onde bateu, e sentiu uma grande quantidade de sangue. O ferimento havia sido grave. Pensou em tentar dizer isso aos bandidos, mas, por medo ou falta de forças, não o fez.
O tarde se estendeu, a situação acabou resolvida. Os bandidos se entregaram, a polícia entrou no banco. Os reféns foram libertados. O dinheiro devolvido. O segurança, que havia sido imobilizado e atacado com uma coronhada na cabeça foi levado a um hospital, mas sem danos graves. E o corpo de um jovem executivo morto foi levado para reconhecimento pela família. Aparentemente, morrera por perder muito sangue, e a polícia ainda não sabia em que momento os bandidos o feriram, já que os mesmos inventaram uma história mentirosa sobre o homem ter se machucado na queda ao chão.
