20 de Dezembro de 2006

Boa, muito boa noite…

Autor(a): CoN

(O Histórias pra Boi Dormir conta agora com mais um membro, a Bam, que deve começar a postar em breve. Se alguém, algum dia, por algum motivo, tiver vontade de integrar a equipe, fale comigo e eu posso até pensar no seu caso. Vamos ao conto)

- Alô?

- Alô, quem fala?

- João.

- Oba João, aqui é o Jorge, da J. H. Advogados, tudo certo?

João não gostou da notícia. Não que ele esperasse gostar, mesmo se fosse outra pessoa, pois nunca era um bom presságio ligarem em seu celular de serviço às 9 horas da noite. Mas, dessa pessoa particularmente, ele gostou menos ainda. A J. H. Advogados só lhe arrumava problemas.

- Fala Jorge, tudo certo.

- Então cara, desculpa estar te ligando a essa hora… – “Ah, claro, nenhum problema em interromper meu jantar” foi o único pensamento que ocorreu a João – mas é que tivemos um probleminha aqui com os computadores, e preciso que você dê uma olhada…

“Não!! Não é possível…” pensou João. Aquilo não poderia estar acontecendo.

- Você quer – perguntou apreensivo - que eu vá agora?

- É, se não for muito incomodo. Está parecendo que alguma placa ou sei lá o que deu problema no computador principal aqui quando a gente foi desligar tudo, e a internet não está funcionando em nenhum dos outros computadores… E você sabe como é né, a gente precisa dela amanhã cedo funcionando…

- Ah, claro, sei sim como que é.

João era considerado um cara estressado. Não tinha paciência com nada, vivia reclamando de tudo, nada nunca estava bom. Era normal que ficasse nervoso, irritado ou enfurecido com notícias ruins. Mas naquele momento, particularmente, ele se sentia tão nervoso, irritado e enfurecido que seria capaz de esfaquear o tal Jorge, se ele tivesse a uns 100 metros por perto. Por sorte, do Jorge, ele não estava.

- Bem… Se não tem outro jeito, estou indo. Vou apenas terminar meu jantar aqui e já vou – fez questão de enfatizar a última frase, para que Jorge se sentisse incomodado por tê-lo interrompido. Infelizmente, pra ele, a frase não surtiu o menor efeito no outro.

- Poxa, que bom. Vou estar te esperando então. Até logo.

- Até…

Como se não bastasse o carro que precisava consertar, as dívidas que adquirira recentemente e as contas normais de fim de mês, ainda tinha que aturar cliente sem descofiômetro!

Havia momentos em que João desejava do fundo da alma que toda a Terra sofresse uma mutação repentina e se tornasse uma imensa bola de sorvete de flocos. Esse era, com certeza, um desses momentos.

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