18 de Junho de 2007

Cagadas no mundo pós-contemporâneo II

Autor(a): CoN

Tinha sido tudo tão confuso que eu não conseguia me lembrar direito. Ou talvez fosse efeito das coisas que eu tinha bebido antes de me retirar ao meu quarto. Não que eu lembrasse também das bebidas, mas minha cabeça reclamava de uma forma interessante sobre algo relacionado a isso, além do meu fígado não reclamar de nada, como se não tivesse forças nem pra isso.

Enfim, a questão é que aos poucos ia me lembrando que, depois do capitão ir dormir, eu tinha resolvido fazer um lanchinho inocente na cozinha. De alguma forma, minha cabeça me avisava que eu ia me meter em encrenca fazendo isso, talvez porque ela seja vidente, ou talvez porque ela soubesse que eu tinha visto umas garrafas de aguardente de Plutão guardadas no armário, e soubesse também que eu seria tentado a bebê-las só de estar no mesmo ambiente que elas.

Enquanto eu me lembrava de tudo isso, o capitão continuava a olhar furioso pra mim, de forma que minha cabeça começava a pensar numa forma de chegar às cápsulas de escape da nave antes dele me pegar. Meu corpo, obviamente, concordava com a idéia de sair daquele lugar que, no momento, oferecia grande perigo, mas receava que não tivesse forças pra isso. Minha cabeça amaldiçoou meu corpo, e se concentrou então, em tentar conversar com o capitão para ganhar tempo.

-Bem capitão. Antes de tudo, gostaria de dizer que a culpa não foi minha, MAS… – o capitão já se preparava pra me cortar por não acreditar - … sei de quem foi.

Ele teria franzido a testa, nesse momento, se ele conseguisse faze-lo. Não o fez, por não conseguir. Me olhou profundamente, procurando alguma marca em meu rosto que denunciasse minha mentira. Não encontrou, por que eu era perito em mentir. E porque, dessa vez, não estava mentindo.

-Então – disse ele, gravemente – de quem foi a culpa?

Ele tinha entrado em um ponto delicado. Afinal, eu disse que sabia de quem era a culpa, e não que estava disposto a contar pra ele. Contudo, parece que ele entendeu exatamente isso. O fato é que agora corria riscos dos dois lados. Não contando, a culpa cairia sobre mim, e provavelmente, minha vida estaria correndo sérios riscos. Contando, eu teria certeza que minha vida corria riscos.

Nesse momento, minha cabeça decidiu que isso era culpa do meu corpo, que ela não tinha nada com isso, e se refugiou no fundo de suas idéias. Meu corpo, pra variar, não estava se agüentando em pé, e não tinha condições de decidir o que fazer. Eu, obviamente, estava fudido, quando, de repente, surgiu quem tinha me posto naquela situação, pra tentar me tirar de lá: ela!

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