Genesis
Autor(a): CoN
Era uma vez, um cara estranho. Não posso definir exatamente como ele era fisicamente, mas posso afirmar que ele era parecido conosco, assim, meio humano. Mas, de humano, ele tinha pouco. Aliás, muito pouco.
Esse cara morava num lugar estranho. Sabe, não era o inferno, nem o céu, pois nada disso existia ainda. Era simplesmente o nada, mas também o tudo. Era Lá.
Só que Lá era um lugar sem graça pra caramba. Então, ele resolveu agitar um pouco as coisas. Era uma segunda-feira, mas ninguém sabia disso porque as segundas-feiras ainda não tinham sido inventadas. Mas tava um puta clima de segunda-feira, não tinha como ser outro dia. Então, o cara estranho a quem eu me referi até agora resolveu criar o tempo, e, que um raio parta-lhe a cabeça!, inventou as segundas-feiras.
Claro que não parou por aí, ele foi em frente, e o resto dos dias veio por conseqüência. As cagadas dele também não pararam por aí. Como ele percebeu que inventar as segundas-feiras havia sido um péssimo negócio porque isso trazia junto a ressaca do domingo, a volta ao trabalho, e todos aqueles problemas que as segundas tem e que vocês sabem bem quais são, ele resolveu se entreter um bocadinho, dando uma de construtor. Ele percebeu que as coisas por Lá tavam muito iguais, porque Lá era tudo e não era nada, e resolveu criar o céu, e viu que céu sem terra não fazia o menor sentido. E adivinha o que ele criou então?
Mas isso foi outra tremenda cagada. O céu só servia pra encher de nuvem quando ele queria sol, ou ter um baita sol quando ele queria sombra, ou algo do tipo. E a terra então, nem se fala, uma sujerada só, pra tudo quanto é lado, aquela poeira, terra vermelha, uma esporquice.
Esse era o ponto dele perceber que o negócio dele definitivamente não era a construção civil. Mas, teimoso do jeito que era, lá foi ele tentar, mais uma vez consertar a cagada que tinha feito, e, conforme os dias foram passando, ele só piorou as coisas. Primeiro, inventou de enxer a terra de água, pra tentar dar uma limpada na poeirada, e putz, ele lotou dois terço do que ele tinha criado de água! O resto, que ficou descoberto, ele encheu de plantas.
Depois, ele ainda teve a ousadia de criar um monte de bichos feios, peludos, fedidos, que só sabiam correr atrás um dos outros, gritar, se bater ou outras coisas chatas e irritantes. Além disso, fez todos esses bichos de forma com que nenhum deles fosse inteligente, soubesse falar ou fazer algo que prestasse ao mundo.
Bom, os que assistiam à esse mar de besteiras (boatos rolam de que seus irmãos mais velhos estavam assistindo) pensaram que aquela era hora que ele iria parar, já fazia seis dias que ele tava nessa de tentar fazer o nada parecer alguma coisa. Realmente, passou pela cabeça dele, por algum momento, parar tudo por ali. Só que, sabem como é, ninguém deixa uma cagada pela metade, e toda a merda que ele tinha feito até então não era nada perto do que ele estava prestes a fazer.
Quando ele viu tudo aquilo pronto, ele pensou que devia por alguém pra tomar conta. Ah, que idéia estúpida. Pegou um pouco de barro, fez um boneco humanóide e, vualá! (sintam que eu domino o francês), com um sopro deu vida ao coitado.
Depois disso, amigos, o mundo nunca mais foi o mesmo.
