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18 de Janeiro de 2008

Uma complexa sucessão de infortunios- CAP 2

Autor(a): Diego

A espera pelo veredito estava se mostrando mais chata do que as várias tardes tediosas que aquele homem ruivo passava entre uma aventura e outra. As primeiras duas horas foram menos paradas, já que um daqueles cavaleiros o havia entretido com um bizarro jogo de cartas, muito parecido com o poker, só que essas cartas tinham desenhos toscos de animais. O cavaleiro, porém, desistiu de jogar quando perdeu a décima partida.

“Oh céus, o que será de mim agora?”,Exclamava o homem, atraindo o olhar de alguns guardas e, ocasionalmente, do bizarro cachorro que estava deitado ao lado das grades.

Ao fim da quinta hora, o homem já estava acostumado ao piso de terra batida, mas suas nádegas reclamavam constantemente.

Foi somente após sete horas de espera que os guardas finalmente o chamaram, e levaram de volta a corte.

Pelas aparencias e pelo barulho, a discussão tinha sido boa, e ainda parecia haver quem não concordasse plenamente com o veredicto.

O dificil de entender era quem era o juiz, uma vez que nenhum cavaleiro trajava uma vestimenta notavelmente diferente das demais.

De volta à gaiola, o homem viu seus captores formando novamente um grande circulo ao seu redor, e o único barulho audivel era o tintilar do metal das armaduras.

“Forasteiro. Após cuidadosa deliberação, nós, os cavaleiros de ghar, concluimos que você não tem culpa direta pela libertação de Zighef.”

“Que bom!” Pensou o forasteiro,”Nem sei o que é um Zighef, mas a culpa não é minha…”

“Porém”Bravejou o homem”O fato permanece o mesmo. Zighef não mais é cativo no vórtice neutro, e sendo assim é só questão de tempo até que ele reuna novamente seu exército.”

“Senhor, eu não entendo nada do que o senhor fala. O que é um Zighef?”

Um grande alvoroço começou no salão. Olhares de reprovação eram lançados ao forasteiro, enquanto injurias lhe eram lançadas.

“Silêncio!”Bradou o cavaleiro”Ele é do mundo superior, esqueceram? Meu caro, Zighef é o pior pesadelo de nossa terra. A maldade parece servi-lo prontamente ao seu chamado. Ele é, indubitavelmente, o maior pesadelo de nossa terra.”

“Tá, eu entendi que ele é um pésadelo. O que eu não entendi é o que ele é. É um humano, é um monstro, um político…”

“Escute, forasteiro. Não há como descrevê-lo usando palavras. Zighef é sim algo corpóreo, mas sua aparência é constantemente mudada.”

“E por que ele é tão temido?”Perguntou o forasteiro, verdadeiramente interessado.

“Venha comigo, forasteiro, e as respostas virão.”Disse o cavaleiro em tom sereno.”Guardas, soltem-no. Ele já não mais é nosso prisioneiro.”.

Agora sim, chega. depois continuo.

8 de Janeiro de 2008

Uma complexa sucessão de infortunios- CAP 1

Autor(a): Diego

“Já houve um tempo em que eu pensava ter as respostas… respostas para perguntas que ninguem sabia.

Também ja houve um tempo em que eu tinha tempo, e com esse tempo eu não sabia o que fazer.

E foi assim que tudo começou. Um desocupado, aparentemente realizado tanto financeira como pessoalmente, passando seu tempo livre(todo o tempo, alias) em sua fazenda, no interior de São Paulo. E, com todo esse tempo livre, eu arrumava umas andanças por aí. Numa delas, como não poderia deixar de ser, algo fora do comum aconteceu. Eu descobri algo que supostamente não deveria ter sido descoberto. Algo tão descomunalmente distante de nossa realidade mesquinha, que era impossivel não se apaixonar pelo desconhecido. Mas isso é uma historia para outra história. O que realmente importa é a sucessao de fatos igualmente inusitados que tornou essa situação real.

Aquilo que eu encontrei em meu mundo, seja lá o que for, me trouxe até aqui, e aqui não quero ficar.

Não sei por que me tratam assim, como se eu tivesse acionado o apocalipse. Tudo o que fiz foi ser curioso e zeloso ao mesmo tempo. Não queria que nada acontecesse aos meus animais. Quanto ao portal, não sei exatamente o que vi lá, só lembro de ter ouvido uma voz meio estranha rindo, dizendo que era só questão de tempo até que ele ou ela recuperasse o poder.

E é só isso o que eu sei. Façam o que quiserem agora.”

Os murmuros eram ouvidos aos montes naquela corte tão diferente. De pé, olhando para ele como se fosse um animal, aqueles homens o olhavam com ar de duvida, e alguns estavam tão receosos, que mantinham suas espadas desembaiadas.

Realmente, aquela seria uma andança longa e tortuosa.



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