Negócios
Autor(a): CoN
No bar, a penumbra tomava conta. Em meio a tilintares de copos, e alguns burburinhos discretos, um casal conversava em tom de segredo à uma mesa.
- E aí – disse ele, parecendo amigável -, tá pronta pra outro?
- Não – ela bebe um golinho rápido do uísque. Olha em volta, preocupada – Digo, depende. Você sabe, eu não queria mais, falei pra você da última vez. Mas a situação tá brava, eu preciso…
- Pára de enrolar e decide se você tá dento ou tá fora! – a aparência amigável começa a sumir.
Ela suspira. Pensa um pouco, visivelmente transtornada.
- Tô dentro.
- Excelente! Vão gostar de saber. – beberica um golinho em sua bebida - Agora, seja discreta: nos próximos dias, não chame atenção, de preferência não se arrisque a ser pega pelos homens, fica em casa mesmo que é melhor pra todo mundo… Ah, e tem mais uma coisa: não marca encontro de nenhum tipo com estranho nenhum. Nem deixa que fiquem te abordando na rua. Parece que o pessoal lá da Zona Norte tá atrás da gente, tipo querendo sabotar e tal…
- Droga, por que você não avisou antes?! Se eu soubesse que o risco tava maior, não tinha entrado nessa! Você sabe, tenho que proteger o pessoal em casa, minha mãe, o Bernardo…
O rapaz abandonou completamente qualquer resquício da aparência amigável que iniciara a conversa.
- Olha aqui, você tá folgando demais! Quando você entrou no esquema há um ano você sabia que a barra era pesada! Mas, claro, a grana fácil foi tentadora, né?! Agora, pára com essa papagaiada e faz o que eu tô mandando! Se não, já sabe, eu sei muito bem onde moram o pequeno Bernardo e tua velha!
Jogou uns trocados na mesa pra pagar as doses de uísque, levantou-se fazendo barulho e saiu do bar. Ela apenas debruçou-se sobre a mesa. E começou a chorar.
