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5 de Fevereiro de 2009
Autor(a): CoN
- …então pára de me encher o saco que eu não quero que ela me ouça falando dessas coisas! Ela não sabe o que eu faço!
Desligou o celular, e fingiu que nada aconteceu. Vanessa voltou do banheiro com cara de inocente.
- Bela casa você tem.
- Eu te disse que você ia gostar…
Ela sorriu e lhe beijou. Ela era uma das mulheres mais bonitas e sedutoras com quem ele já havia se envolvido. Era um prazer estar com ela, e mais prazeroso ainda era saber que ela não via nele o poderoso e rico agiota que ele era. Pra ela, tudo aquilo era fruto do seu pequeno negócio de fachada na área da construção civil.
- Quer conhecer lá em cima? Os quartos talvez?
- Hmmm, você não perde tempo hein?Ele levantou e puxando-a pela mão, subiram as escadas de sua pequena mansão. No quarto, se beijaram mais um pouco.
- Se apronta, eu já volto… Tenho uma surpresinha pra você. - Vanessa disse, e ele a viu desfilando com sua estonteante bunda para o banheiro. Deitou-se, e relaxou esperando pela surpresa. Ouviu-a se despir, imaginando como aquele corpo maravilhoso seria ainda mais bonito completamente nu, e como aquela seria uma das melhores noites daquele ano. Ainda se admirava com a sorte de te-la conhecido, uma mulher linda, inteligente, que sabia o que queria da vida. A maçaneta girou lentamente, e sua voz sensual saiu de lá de dentro:
- A surpresa vai ficar ainda melhor se você prometer ficar de olhos fechados. Se eu perceber que você está vendo, eu vou embora! - e, após ele afirmar que não veria nada, ela saiu do banheiro. Ela era realmente impressionante, e vestida com uma meia 7/8, salto alto, uma calcinha finíssima e um sutiã bem decotado, ficava ainda melhor. Embora ele nunca chegasse a ver aquela cena, ele a imaginou por alguns instantes, quando ela aproximou-se e, guiando seus movimentos, deixou que ele passasse suas mãos por aquele corpo.
Então, enquanto fazia joguinhos sedutores com o homem já louco de tesão, se colocou atrás dele, e posicionou uma pequena faca bem próximo ao seu pescoço, sem que ele notasse o objeto. Começou a falar:
- Se lembra, querido, do dia em que seus amiguinhos invadiram aquele sobradinho a cinco quadras daqui, e ouviram uma mulher estérica gritar que se vingaria, após matarem a sangue frio aquele pobre rapaz que te devia uma grana?
Ele se assustou com a conversa e tentou se mover, mas ela foi rápida como um assassino profissional. Um jato de sangue manchou os lençóis alvíssimos e seu corpo caiu dobrado sobre as almofadas.
- Que o diabo te carregue, seu filho da puta!
Vestiu-se rapidamente e, sem olhar pra trás, saiu dirigindo a bela Mercedes que ele possuía. O carro nunca mais foi vista naquelas vizinhanças.
9 de Novembro de 2007
Autor(a): CoN
A noite fria ia caindo na cidade. As ondas do mar se agitavam, o vento balançava as folhas das palmeiras. As poucas pessoas que se via nas ruas andavam a passos largos, visando suas casas antes do toque de recolher da noite.
Já se via patrulheiros nas ruas. Suas capas pretas, o horrível emblema da opressão em seus braços, andando em duplas pelas vielas, ruas e avenidas da cidade. Desde o início da opressão, os patrulheiros foram o símbolo máximo do medo e do fim da liberdade.
Em um apartamento na orla da praia, seis jovens conversavam em volume mínimo. Quatro garotas, dois rapazes, discutiam detalhes sobre sua parte na manobra dessa noite.
-Risco, todos nós sabemos que corremos.
E sabiam. E estavam dispostos a corrê-lo. Se sacrificariam, se necessário, pela liberdade, pela possibilidade de se expressar, pelo direito de ser feliz.
- Então é isso… – quem falava era Juliana. Nesse grupo, não havia líderes ou comandados, mas se houvesse um líder, ela era ideal pro cargo. – Esperaremos aqui até que dêem o sinal combinado. Então, nos espalhamos e criamos aquele caos. Os patrulheiros virão, essa é a intenção, mas ainda assim será perigoso. Temos que estar todos prontos. Estão equipados?
Todos assentiram. Via-se que tinham rádios de comunicação, lanternas, granadas de fumaça, algum combustível, tochas e revolveres. Embora o plano estivesse bem determinado, todos estivessem bem equipados e dispostos a correr riscos, ainda assim, a tensão no pequeno apartamento era enorme.
O tempo foi passando. Os seis estavam dispersos pelo apartamento, ocupados em seus próprios pensamentos. Lá fora, o silêncio do medo que a noite trazia reinava sobre o uivo do vento e os ruídos do agito marítimo. De repente, a tensão se aumentou ao máximo quando o telefone de Juliana tocou. Todos se olharam nervosos: o plano previa que o toque seria no telefone de Tiago, e só em caso de problema, fariam contato com Juliana. A garota se adiantou, atendeu à chamada:
- Abortar! Fomos descobertos. Fujam!
O rosto da garota ficou branco. Mais um plano frustrado. Olhou seus companheiros, manteve a firmeza, mandou-os fugir. A saída do prédio foi tumultuada, patrulheiros apareceram, houve tiros, correria, gritos, morte.
Mais tarde, refugiada, em segurança (mesmo que frágil e temporária), desabou. Sentiu-se fraca, impotente. A opressão continuava, o medo continuava, o autoritarismo continuava. A cada novo plano, a cada nova tentativa, um novo fracasso. Mas era preciso continuar, erguer a cabeça e lutar. Levantou, se recompôs. Fez algumas ligações, mandou alguns recados. Era hora de recomeçar a pensar.
Esse texto foi publicado dia 23/10/07 no Mas que loucura, blog em que eu esporadicamente escrevo algumas crônicas. Tá, essa foi a primeira e única até agora, mas outras virão.
19 de Outubro de 2007
Autor(a): CoN
Era meio dia e dez, um sol desgraçado queimava o cocoruto da cabeça semi-calva do rapaz jovem que andava apressado pelas ruas movimentadas. Suava bastante dentro de seu terno azul marinho, e sentiu-se extremamente bem quando entrou no ambiente refrigerado do banco.
Pegou a longa fila do caixa. Tinha se oferecido (e já estava arrependido) para depositar um dinheiro para seu chefe, já que ele passaria perto do banco. Um senhor idoso brigava no caixa por algum motivo, enquanto mais oito pessoas na fila esperavam sua vez.
Enquanto deixava vagar seu pensamento por lugares onde gostaria de estar naquele momento e coisas que gostaria de estar fazendo, ouviu um burburinho que o trouxe de volta. E tudo aconteceu de repente.
Gritos, um tiro, e quatro figuras encapuzadas anunciaram o assalto. Todos pro chão. Caiu e bateu a cabeça com força em alguma quina, mas nem ligou. Seu coração estava disparado, nunca havia passado por uma situação de assalto antes. Suava frio agora, queria mais que tudo poder estar de volta à rua quente novamente, longe dali. Clima tenso, os homens encapuzados retiravam dinheiro do caixa agora, enquanto o segurança jazia perto da porta com uma contusão na cabeça.
Sirenes tocaram lá fora! Os bandidos perceberam o problema, rapidamente puxaram uns e outros para se protegerem, escudo humano. A polícia cercou o prédio. Na cabeça do jovem executivo, um misto de tranqüilidade e frustração lhe abatia. A polícia nunca lhe inspirou confiança, mas agora era sua única alternativa de sair bem daquela situação. Sentia a imagem começar a rodar, talvez de medo ou desespero.
A polícia anunciou qualquer coisa lá fora, ele não ouviu. Não era pra ele mesmo. Os bandidos se comunicaram, começaram uma negociação. De vez em quando gritavam com as pessoas no chão, deram mais dois ou três tiros para amedrontar. O jovem sentia-se atordoado, não sabia o que estava acontecendo. A situação era desesperadora, sua cabeça doía e ele estava com medo, mas isso não era motivo para ele estar fraco, com a vista escurecendo e tremendo. Sua cabeça doía! Ele lembrou-se, passou a mão onde bateu, e sentiu uma grande quantidade de sangue. O ferimento havia sido grave. Pensou em tentar dizer isso aos bandidos, mas, por medo ou falta de forças, não o fez.
O tarde se estendeu, a situação acabou resolvida. Os bandidos se entregaram, a polícia entrou no banco. Os reféns foram libertados. O dinheiro devolvido. O segurança, que havia sido imobilizado e atacado com uma coronhada na cabeça foi levado a um hospital, mas sem danos graves. E o corpo de um jovem executivo morto foi levado para reconhecimento pela família. Aparentemente, morrera por perder muito sangue, e a polícia ainda não sabia em que momento os bandidos o feriram, já que os mesmos inventaram uma história mentirosa sobre o homem ter se machucado na queda ao chão.
17 de Abril de 2007
Autor(a): CoN
Eram 4h35 da manhã quando acordou. O sofá sob seu corpo fazia doer suas costas, e o uísque barato, que antes enchia as garrafas agora espalhadas pelo chão, fazia doer sua cabeça. O abajur estava também no chão, e iluminava o caos que se instalara no apartamento cerca de 9 horas atrás: as garrafas, cinzas de cigarros, uma camisinha e um revolver jaziam por perto. O revolver! Que risco deixá-lo ali, assim!
Levantou-se do sofá duro para desligar o despertador que o acordara. Recolheu o revolver, guardando-o no bolso da jaqueta. A lua brilhava lá fora, em meio à fumaça sempre presente ali no subúrbio. Vida dura, a daqueles que moravam ali. Mas agora ele não podia pensar nisso. Sua cabeça doía, mas ele a mantinha focada no motivo por que acordou àquela hora.
Seu celular vegetava sobre a mesa. Embolsou-o junto com a chave da moto, e saiu para a noite gélida. Deu partida e, enquanto percorria ruas e ruelas em direção ao seu destino, relembrava o plano.
Era simples. Chegar, matar, dar o sinal. O incêndio ficaria por conta dos outros, seus fiéis parceiros. E aquele desgraçado teria o que merece. Ah, só de lembrar, tinha espasmos de fúria! O bandido, traidor, que mudou de lado na última hora e lhe ameaçou tirar suas maiores preciosidades. Seu irmão, infelizmente, ele não pôde salvar. Mas, de forma alguma deixaria que lhe tomassem ela.
O destino se aproximava e ele já sentia a satisfação de fazer justiça com as próprias mãos. O vento na cara era excelente para curar-lhe a dor de cabeça e tirar os últimos resquícios de uma ressaca inexistente, nunca fora homem de ter ressaca. Seu celular vibrou. Ela!
- Falei para você não ligar, Janaína, só se mantenha escondida!
- Foge daí, por favor - a voz da moça transparecia aflição, quase desespero - vai dar polícia lá, eles tão sabendo, alguém te entregou!
O aviso foi um balde de água fria pra ele. Prometera, por inúmeros motivos que iam desde orgulho próprio à memória de seu falecido pai, que nunca se deixaria ser preso - e aquele plano acabara de se tornar um pedido ao xadres. Por outro lado, jamais deixaria escapar uma chances dessas, de vingar seu irmão e proteger sua garota. Rapidamente, como sempre fazia, chegou à uma solução.
- Lembre-se que você é a coisa mais importante para mim - foi tudo que disse pelo celular, antes de arremessá-lo num bueiro próximo.
Meia hora mais tarde, a polícia invadia o casebre onde uma denúncia, feita por uma jovem moça, dizia que ali ocorreria um assassinato. Era tarde. Dois corpos jaziam no chão, um com uma aparência assustada e um furo no peito; o outro, com um sorriso no rosto e um tiro na lateral da cabeça. Enquanto isso, a tortura do remorso fazia Janaína chorar copiosamente sobre a foto do único homem que a amou na vida, enquanto os primeiros raios de sol invadiam sua janela.
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