13 de Outubro de 2007
Autor(a): Bam
Imparcial: que julga sem paixão
Não viemos à Terra para julgar, mas caso isso ocorrese, não devíamos fazê-lo sem paixão, sentimento tão intrínseco à essência humana. Então até qual ponto conseguimos ser imparcial? Até qual ponto conseguimos não nos afetar pelo sentimento alheio?
O que fazer em uma situação que requer imparcialidade, um sentimento - não, não pode ser chamado de sentimento ou qualquer coisa que envolva emoções - de máquinas incapazes da paixão. Como falar da minha imparcialidade?
Não, eu não tenho essa tal de imparcialidade. Eu só tenho uma mistura de emoções, como se fossem cores primárias que viram secundárias e no final parecem culminar sempre no cinza.
Como não tomar as dores de Castro Alves no navio negreiro, como não pensar com o nosso sistema límbico? É por isso que a minha suposta imparcialidade vai até onde minhas emoções permitem.
6 de Outubro de 2007
Autor(a): Fábio (www)
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Parecia para ele mais um dia comum. Levantou-se, foi sonolento até a cozinha, preparou seu leite com chocolate, tudo da maneira que sempre fazia. Porém notou com interesse o brilho da caneca e do leite, reflexo da luz que entrava pelas janelas altas da cozinha, não se demorou nesse interesse, apenas notou. Mais tarde, ao se vestir, se interessou rapidamente também pela maneira em que as fibras de sua camiseta se entrelaçavam para formar o todo. Estranhou esse novo interesse que ele estava tendo pelas coisas a sua volta, mas gostou.
O resto do dia transcorreu da mesma maneira que a manhã: perfeitamente normal. Perfeitamente não, simplesmente normal. Nada de extraordinário, apenas tudo o que era de costume estava naquele dia. O som dos carros, o vento fresco da tarde, as pessoas com seus jeitos peculiares, a caneta com a qual escrevia, simplesmente tudo.
Mas naquele dia o simples foi notado, finalmente o trivial se perdera e ele conseguiu sair do piloto automático que estava a sua vida, notando o que a compunha, mesmo que sua rotina em nada tenha sido alterada.
27 de Setembro de 2007
Autor(a): Diego
Paulo acordou. Olhou para o relógio, vendo um grande borrão vermelho. Esfregou os olhos, conseguindo então ver as horas. Como era bom acordar tarde! E não ter ninguem para dar ordens era ainda melhor. “Hoje ão vou fazer nada. Não vou cozinhar nada, nem lavar nada, nem arrumar minha cama!”
Já que sua mãe estava viajando, seu desejo podia ser facilmenter realizado.
Levantou-se. Foi ao banheiro assoar o nariz. Não havia papel, já que ninguém havia trocado o rolo antigo, ja esgotado. Acabou usando um guardanapo da cozinha mesmo. “No fim da na mesma!” Pensou ele.
Depois, sem pressa, foi para a sala, onde assistiu tv. “O que será que eu faço agora? Se pá vou almoçar”.
Mas, como ninguem havia comprado comida, não havia nada para cozinhar.
“Tá de boa, nem tô com tanta fome assim mesmo. Vou só beliscar umas bolachas.”
Obviamente, não havia bolacha alguma em seu armário. Ele não as havia comprado.
“Caramba, ninguém comprou nada pra essa casa! E olha aquela pilha de louça suja! Onde eu vou comer? Nem papel no banheiro eu tenho!”.
Antes de conseguir completar sua fala mental, o telefone tocou.
-Alô?
-Paulo, meu filho, bom dia!
-Bom dia mãe!
-E ai, como vai a independencia?
-Ah mãe, muito bom! Acho que não quero que você volte não. Essa liberdade é ótima!
-Que legal filho!
Enquanto sua mãe falava amenidades a respeito de sua viagem, Paulo pensava no quanto gostaria de ter o que fazer. QUALQUER coisa mesmo.
-… e não esquece de deixar a louça limpa e de comprar as coisas que eu deixei na lista, do lado do telefone.
-As mãe, na moral, eu não vou perder tempo da minha liberdade tão querida fazendo essas coisas chatas. Eu tô aproveitando esse tempo pra relaxar, pra fazer o que eu quero, sabe. Alias, tenho que desligar. Meus amigos estão subindo.
-Juizo, heim!
Paulo desligou, dirigiu-se à pia, vestiu luvas de borracha e preparou a esponja para a lavagem da louça, que secaria enquanto ele estivesse no mercado.
Como era doce a liberdade!
25 de Agosto de 2007
Autor(a): CoN
A semana havia sido exaustiva para Artur. Abriu uma cerveja e sentou-se no sofá da sala, pronto pra ver televisão até cair de sono. Deu uns goles, mudou uns canais. Acabou caindo na novela. Alguns diziam que a religião é o ópio do povo. Hoje em dia a novela tava mais pra isso. Desistiu da novela.
Desligou a televisão, colocou uma musiquinha calma pra tocar, deitou. Estava cansado, cansado demais. Cansado dos afazeres do dia-a-dia. Cansado de seu emprego, que nada tinha a ver com tudo aquilo que ele sonhava quando jovem. Cansado daquela cidade grande, suja, estranha. Cansado da distância que o separava de quem ele gostaria de estar perto. Cansado de ter que viver aquela vida.
Um balão subiu no ar. Era branco, tinha uns desenhos azuis, uma coisa psicodélica maluca. Levava um jovem sorridente, um jovem que chamava Artur e se sentia feliz. Levava uma jovem com quem Artur queria estar o tempo todo junto, e a distância que os separava não existia mais. Voava pelo céu claro, sobre um mundo verde de árvores e azul de rios e oceanos. Desceu na clareira. Uma casinha, simples, ali na praia, turistas, sol, mar.
Viu seus pais, seus amigos. Tinham vindo fazer uma visita, olha só, até o cachorro veio. Correu atrás do peludo, brincando, gritando, feliz. Uma pedra, e ele tropeçou. Acordou de sobressalto. Olhou no relógio, hora de ir pra cama.
Amanhã era um sábado longo de trabalho, e o trabalho não o permitia se dar ao luxo de ficar sonhando. Foi dormir.