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11 de Agosto de 2007

Cagadas no mundo pós-contemporâneo III

Autor(a): CoN

Os médicos de todo o Universo conhecido (e talvez até da parte desconhecida, mas como não se sabe se lá há médicos, fica decidido que não falaremos deles) a algum tempo vinham se dedicando ao estudo de um grave distúrbio que aflige hoje a grande parte da população viva da história conhecida.

Trata-se de um fenômeno de dupla personalidade esquisito. Dentro de certas circunstâncias, pessoas que sofrem desse mal (embora esse lance de chamar de “mal” também está sendo discutido, visto que algumas pessoas gostam de suas outras personalidades) repentinamente adquirem uma personalidade completamente diferente da sua personalidade normal. O que é mais intrigante é que a nova personalidade, invariavelmente, é falante, brincalhona, engraçada, adora suco de tamarindo e odeia qualquer coisa relacionada a álcool.

É interessante notar também que os doutores relacionaram a manifestação do distúrbio à pessoas que, em determinada fase de sua vida (que pode ser ela toda), beberam bastante bebidas alcoólicas. Ou seja, grande parte da população viva da história conhecida. Então, pelo bem da ciência, eles mesmos resolveram começar a beber muito para estudar os efeitos da coisa todo em seus próprios corpos. Infelizmente, hoje, sobraram poucos médicos sadios para continuar as pesquisas.

Eu, enquanto encarava o capitão da nave e ouvia o duelo de meu corpo com minha cabeça sobre quem era responsável por me tirar daquela situação complicada em que nenhum dos dois sabia como eu havia me metido, desconhecia completamente toda a baboseira da dupla personalidade.

Foi nesse momento em que ela apareceu. A minha segunda personalidade, que eu desconhecia, era muito mais falante que eu, muito mais brincalhona que eu, muito mais engraçada que eu, adorava suco de tamarindo e não suportava álcool. E eu desconhecia tudo isso, também.

Na hora, meu corpo e minha cabeça calaram a boca e ficaram vendo o que essa nova personalidade fazia. E ela fez algo muito, realmente muito impressionante. Ela deu um soco no capitão.

Capítulo I
Capítulo II

Se você, visitante, entrar aqui e der de cara um layout completamente diferente e defeituoso, não esquente. Sou eu testando umas coisas. Simplesmente esqueça o que você viu, e tudo ficará bem.

18 de Junho de 2007

Cagadas no mundo pós-contemporâneo II

Autor(a): CoN

Tinha sido tudo tão confuso que eu não conseguia me lembrar direito. Ou talvez fosse efeito das coisas que eu tinha bebido antes de me retirar ao meu quarto. Não que eu lembrasse também das bebidas, mas minha cabeça reclamava de uma forma interessante sobre algo relacionado a isso, além do meu fígado não reclamar de nada, como se não tivesse forças nem pra isso.

Enfim, a questão é que aos poucos ia me lembrando que, depois do capitão ir dormir, eu tinha resolvido fazer um lanchinho inocente na cozinha. De alguma forma, minha cabeça me avisava que eu ia me meter em encrenca fazendo isso, talvez porque ela seja vidente, ou talvez porque ela soubesse que eu tinha visto umas garrafas de aguardente de Plutão guardadas no armário, e soubesse também que eu seria tentado a bebê-las só de estar no mesmo ambiente que elas.

Enquanto eu me lembrava de tudo isso, o capitão continuava a olhar furioso pra mim, de forma que minha cabeça começava a pensar numa forma de chegar às cápsulas de escape da nave antes dele me pegar. Meu corpo, obviamente, concordava com a idéia de sair daquele lugar que, no momento, oferecia grande perigo, mas receava que não tivesse forças pra isso. Minha cabeça amaldiçoou meu corpo, e se concentrou então, em tentar conversar com o capitão para ganhar tempo.

-Bem capitão. Antes de tudo, gostaria de dizer que a culpa não foi minha, MAS… – o capitão já se preparava pra me cortar por não acreditar - … sei de quem foi.

Ele teria franzido a testa, nesse momento, se ele conseguisse faze-lo. Não o fez, por não conseguir. Me olhou profundamente, procurando alguma marca em meu rosto que denunciasse minha mentira. Não encontrou, por que eu era perito em mentir. E porque, dessa vez, não estava mentindo.

-Então – disse ele, gravemente – de quem foi a culpa?

Ele tinha entrado em um ponto delicado. Afinal, eu disse que sabia de quem era a culpa, e não que estava disposto a contar pra ele. Contudo, parece que ele entendeu exatamente isso. O fato é que agora corria riscos dos dois lados. Não contando, a culpa cairia sobre mim, e provavelmente, minha vida estaria correndo sérios riscos. Contando, eu teria certeza que minha vida corria riscos.

Nesse momento, minha cabeça decidiu que isso era culpa do meu corpo, que ela não tinha nada com isso, e se refugiou no fundo de suas idéias. Meu corpo, pra variar, não estava se agüentando em pé, e não tinha condições de decidir o que fazer. Eu, obviamente, estava fudido, quando, de repente, surgiu quem tinha me posto naquela situação, pra tentar me tirar de lá: ela!

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15 de Maio de 2007

Cagadas no mundo pós-contemporâneo

Autor(a): CoN

- Abre essa porta!

Acordei assustado com o grito. Olhei no relógio do braço esquerdo - eram quatro horas da manhã, mas em algum planeta distante que eu já não lembrava mais nem o nome. Contudo, no do braço direito…

- Abre!!

Nunca soube a hora no relógio do braço direito, pois não cheguei a olhar. O que não fazia diferença, já que ele marcava a hora de algum outro planeta distante.

Levantei da cama, e, após o terceiro grito vindo do corredor, meu cérebro se tocou que talvez fosse uma boa idéia abrir a porta. Meu corpo, que de início não concordou com meu cérebro (e essa era uma constante em minha vida) acabou cedendo, e, enquanto ambos ouviam o quarto grito, se juntaram e abriram a porta.

No corredor de paredes brancas (sujas e mal cuidadas), em pé, com um olhar mortífero e uma cara zangada (embora ele não pudesse mudar de expressão e essa pudesse ser considerada sua cara normal), estava o capitão. Àquela visão, meu corpo bradou ao meu cérebro que havia sido uma péssima idéia abrir a porta. O cinzento, resoluto, teve que concordar.

-Bom dia! Ou seria boa tarde? - essa dúvida sempre me afligia quando voava pelo espaço aberto - talvez boa noite…

- Seja dia, tarde ou noite, não tem nada de bom - o capitão disse isso sem mover sequer um músculo da face. Talvez isso se devesse ao fato de que, sendo de uma espécie oriental muito esquisita, ele não possuia músculos na cara, e emitia sons de uma forma inexplicável - pelo menos para mim, que nunca me preocupei em descobrir.

- Não? Ah… e por que não?

- Hum… - me encarou como se quisesse me explodir, mas não pudesse. De fato queria, e de fato, não podia - talvez porque, depois de ter colocado a nave no automático, trancado a ponte de comando e ter ido dormir, alguém conseguiu, de uma forma ainda desconhecida para mim, invadir a ponte e, usando a minha senha, zonear a nossa rota.

Senti que, de alguma forma, eu poderia estar relacionado a esse fato esquisito. Mas, por mais que tentasse, não me lembrava de nada. Meu corpo, nesse momento, tentava me lançar para longe dali, mas minha cabeça me dizia que era melhor ficar. Fui ficando, e ele continuou.

- Agora, neste momento, estamos encalhados entre dois buracos negros e uma fenda espaço-temporal, que pode nos jogar sabe-se-lá onde! Qualquer movimento em falso pode nos matar ou mandarmos tempo a dentro. - nesse momento, ele, mesmo sem músculos faciais, estreitou os olhos e me olhou profundamente - Você tem idéia de como isso aconteceu?

Uma forçada mais forte na memória me trouxe tudo à tona. E eu, de súbito, soube de quem era a culpa (surpreendentemente, não era minha!): era dela!

Continua…

Texto clara, descarada e bizarramente inspirado nas aventuras de Arthur Dent e Ford Prefect, na trilogia que ja deve ter uns cinco livros, de O Guia do Mochileiro das Galáxias.

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