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23 de Novembro de 2007

Autor(a): Jéssica (www)

- Que saco! – resmungou Carolina assim que o despertador tocou avisando que já começava um novo dia. Só mais cinco minutos e eu acordo.

Depois de quinze minutos, Carolina levantou da cama, caminhou até seu guarda-roupa e escolheu uma roupa qualquer para se trocar, o que tomou mais uns dez minutos de seu tempo. Ela não se importava em chegar cedo na aula. Não que fosse um hábito se atrasar, mas aquele dia não era um dia qualquer, era o seu aniversário.

Quem pensa que todos adoram esse dia do calendário está muito enganado. Para essa garota, fazer mais um ano de vida e agüentar as pessoas dando parabéns, telefonando e mandando mensagenzinhas, era um fardo, praticamente uma tortura! Não que tivesse velha (esse era seu vigésimo segundo aniversário) ou coisa assim, mas é que esse papo de receber presentes, parabéns de pessoas que, ás vezes, mal sabem seu nome era algo muito fútil. Afinal, o que tem de mais em se fazer mais um ano de vida?

Carolina saiu de seu quarto e foi direto para a cozinha. Pegou um iogurte (o último) que estava na geladeira, três bolachas que restavam numa vasilha de plástico e sentou-se à mesa para tomar seu grandioso café da manhã. Preciso ir ao supermercado com a Amanda hoje. Não tem nada pra comer nessa casa! Amanda era a garota com quem dividia o apartamento. Geralmente, as duas tomavam café da manhã juntas, mas nesse dia sua colega teve que ir mais cedo para a faculdade. Não que isso incomodasse Carolina (quanto menos gente lembrando do dia, melhor!).

Terminando o café da manhã, ela se dirigiu ao banheiro, escovou seus dentes, deu uma arrumada no cabelo e, se dirigiu à faculdade. Se não fosse por aquele maldito seminário, eu nem iria pra aula hoje! Chegou à faculdade, por sorte, não encontrou nenhum conhecido (deviam estar em aula. Já passavam das nove da manhã) e subiu direto para sua sala.

Seu grupo de seminário já estava se preparando para começar. Apesar do nervosismo por ter que apresentar seu trabalho (Carolina nunca foi muito boa para falar em público), seu maior medo era que toda a turma começasse a cantar parabéns, o que era uma mania terrível dentro daquela sala de aula! Não se podia falar em aniversário que todos ficavam a postos para bater palmas e cantar aquela musiquinha.

Porém, ninguém falou nada, nem mesmo suas amigas lembraram da data. Graças a Deus! Mas, por incrível que pareça, aquilo a deixou incomodada. É claro que não a deixou triste, longe disso, mas ninguém, nem mesmo Juliana, uma de suas melhores amigas fez algum comentário. Tomara que continue assim. Bem melhor!

Acabando as atividades na faculdade, Carolina foi, em companhia de Amanda, ao supermercado para fazerem as compras do mês, já que nem mesmo restaram bolachas ou algum iogurte para elas comerem.

- Ah! Mas eu vou ter que passar em casa antes. Esqueci meu dinheiro lá.

Carolina apenas concordou com a amiga e caminhou com ela até seu apartamento. Ao chegarem lá, ela notou algo estranho. As luzes da sala estavam acesas e ela tinha certeza de que nem mesmo tinha acendido a luz do cômodo na parta da manhã. Antes mesmo de ela comentar algo, Amanda abriu a porta e de dentro, ouviu-se parabéns sendo cantado por suas amigas e, para sua surpresa, por seus pais que seguravam um bolo em suas mãos!

Carolina ficou atônita, sem reação nenhuma. Mas pode-se perceber um leve sorriso estampado em seu rosto. É! Pode ser que fazer aniversário não seja tão ruim assim…

11 de Janeiro de 2007

Aniversário

Autor(a): CoN

- Gravando!

Cena escura. Percebe-se alguma movimentação. Um tropeção.

- Ai!

Uma luz, no meio da sala, começa a se acender, de cima pra baixo. Um vulto, que logo se torna visível, ergue a cabeça. É um homem, mas se parece com um o mínimo que é possível para um. Por mais confuso que isso possa parecer. Usa uma franjinha na testa, cabelo escorrido, uma maquiagem escura. Um tom choroso se percebe em seu olhar. Começa a falar.

- É difícil pra mim estar aqui, falando sobre isso. Mas, é preciso, pelo bem de muita gente que pode vir a passar por isso. E porque preciso desabafar. Sabe, muita gente pensa que é bom crescer, que é bom ser mais velho, que a vida de pessoa independente é boa. Eu posso dizer: não é. Na verdade, a vida nunca é boa. Ela é triste, deprimente, detestável. Mas, quanto mais velhos ficamos, mais conscientes disso ficamos. Nossos miguxos… – ouve-se algumas risadinhas no local, embora não seja possível ver mais ninguém; o próprio vulto, no meio da cena, solta um leve sorriso. Depois, retorna ao tom jocoso original - Nossos miguxos, eles se distanciam, nossa família, mamis, papi, todos ficam pra trás. A gente precisa trabalhar, a gente precisa fazer uma faculdade, a gente precisa virar gente. Já não podemos se reunir no shopping para mostrar pro mundo como a gente é revoltado. Já não podemos usar nossas roupas linduxas no trabalho ou na escola sem perder o emprego ou o respeito dos amigos. Nem chorar, NEM CHORAR, nós podemos, sem esse olho crítico do mundo que nos rodeia! Ah! Fazer aniversário é ruim demais! Vou me matar! Alguém me empreste duas pilhas, quero levar choque até morrer! – uma mão aparece, estendendo duas pilhas e dois pedaços de fio – Obrigado, miguxo! Adeus mundo!

Silêncio.

- Droga, não dá pra me matar assim! To tixte…

Silêncio. A luz central se apaga lentamente.

-Corta!

Risadas ecoam pelas paredes, a luz acende, e revela a presença de mais três pessoas no recinto, além de uma câmera e um computador. Todos, exceto a câmera e o computador, riem gostosamente.

- Ah, isso aqui vai ser um sucesso na internet! Vamos por no ar já!!

Um dos garotos se adianta e começa a digitar, clicar e fazer tudo aqui que se faz em um computador. De repente, o espanto, seguido do xingamento.

- Fudeu!

- O que foi?

- A merda do YouTube no Brasil foi bloqueada!

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