14 de Março de 2007
Autor(a): Diego
- Acorda.
- Hã?
- Tá na hora.
- Me deixa dormir mais um pouco vai.
- Não. Seu pai vai passar aqui daqui a pouco. Vai por uma roupa logo. E não esquece de checar os documentos, a passagem, o cartão do seguro, os papéis da escola…
- Tá, tá.
O garoto sentou-se. Sua vista ainda estava embaçada. Levantou-se, e por pouco não foi ao chão, graças à um tropeço em sua enorme mala, localizada ao pé da cama.
Cerca de vinte minutos depois, o telefone tocou. O garoto não atendeu, pois estava travando uma batalha épica contra a bolsa de guardar dinheiro, que deveria ficar dentro da calça.
Pouco depois, sua mãe entrou no quarto, dizendo que estava na hora de descer, entrar no carro de seu pai e rumar para São Paulo. E foi exatamente isso o que ele fez, sem nem ao menos olhar para traz.
Durante a viagem, seu pai resolveu fazer uma breve parada para tomar um café.
- Quer um pão de queijo?-Perguntou ele, entes de sorver mais um gole do café.
- Não. Vou guardar minhas forças para comer comida árabe lá em São Paulo.
(Grande erro. Um mês depois ele se arrependeu)
O resto da viagem passou como num piscar de olhos, já que todos, exceto seu pai, estavam dormindo.
Ao chegar na casa de sua avó, uma certa nostalgia o atingiu, afinal lá ele passou uma boa parte de sua infância, deixando de freqüentar o locar quando se mudou para Ribeirão Preto.
Pouco depois de sua chegada, o telefone de sua mãe tocou.
- É pra você - disse ela estendendo o aparelho ao garoto.
- Alô?
- Oi…- Disse a voz feminina tão familiar.
- Oi… tudo bem?
- Sim, e com você?
- Tudo bom…
- Só liguei pra falar que te amo. Se cuida lá.
Ao voltar para a sala, notou que todos estavam de pé, dirigindo-se à porta do apartamento.
Seguiu seus pais, amparando sua avó, cujas pernas já não tinham mais tanta força.
O almoço foi animado, e todos comeram muito. Inclusive sua avó, conhecida por comer muitíssimo pouco.
Depois da refeição, voltaram ao apartamento, onde ficaram por mais meia hora, partindo logo em seguida, rumo ao aeroporto internacional de Cumbica.
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15 de Fevereiro de 2007
Autor(a): Diego
- Mas me fala cara, como vai ser essa viagem? - Perguntou animadamente o rapaz de cerca de 20 anos.
- Como assim?- Rebateu o jovem questionado.
- Me explica como vai ser o itinerário.
O garoto pensou. Não tinha pensado muito no assunto ultimamente, talvez como uma maneira de não se apavorar. A sua volta haviam duas primas, o tio, a tia, mãe, pai, irmão, namorados das primas, o avô, a esposa do avô e sua namorada.
- Vai ser mais ou menos assim… - Fez uma pausa para puxar o ar - …Eu vou acordar amanhã às 6, vou de carro até São Paulo e devo almoçar com a minha avó. Meu vôo sai as 18 e 30. Lá pelas 9 da manha, horário local, eu chego em Johanesburgo, onde pego uma conexão para a Cidade do Cabo. Devo chegar lá ao meio dia. Daí vai ter alguém me esperando pra levar pra escola.
- Ninguém merece estudar nas férias heim - Disse o namorado da outra prima.
- Eu não ligo, vou estudar só inglês, que é uma coisa que eu gosto bastante. E também, eu não tenho que ir todos os dias pra aula.
- Tem sim - interrompeu a mãe - Eu paguei para você ir todos os dias, então você vai.
- Você num tá com medo? - Perguntou a prima mais velha.
- Não. Eu tô um pouco ansioso, mas com medo mesmo acho que não.
- Escuta meu filho, você leva um pouco de dinheiro trocado na carteira pra trocar logo que você chegar no aeroporto lá da África. O resto tem que ir naquela bolsinha que vai dentro da calça - Disse o avô, que havia feito uma viagem similar pouco tempo antes.
- Pode deixar, eu acho que já ouvi isso umas mil vezes.
- Me fala uma coisa - disse a prima mais nova - Por que justo a África? Normalmente as pessoas vão para o Canadá ou Nova Zelândia nos intercâmbios.
- É justamente por isso. Fora que eu acho que na África eu vou ver mais coisas bonitas.
Meia hora depois, todos exceto pai, mãe, irmão e namorada já haviam ido embora. O garoto e sua namorada estavam sentados conversando, quando o celular dela tocou.
- Tá bom mãe, tô descendo.
Ambos desceram e se olharam longamente.
- Promete que não vai fazer nada errado lá? - Perguntou a garota.
- Lógico.
Eles se beijaram e a garota saiu do prédio. Foi então que, tão suavemente quanto um tapa na cara, o garoto percebeu: agora, só a veria em dois meses.
Subiu, e ao entrar em casa percebeu que todos já haviam se deitado. Foi até seu quarto, onde havia uma enorme mala sobre a cama. Olhou o MSN. Ninguém on-line. Resolveu então ir dormir também. O dia seguinte seria muito, muito interessante.
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