27 de Setembro de 2007
Autor(a): Diego
Paulo acordou. Olhou para o relógio, vendo um grande borrão vermelho. Esfregou os olhos, conseguindo então ver as horas. Como era bom acordar tarde! E não ter ninguem para dar ordens era ainda melhor. “Hoje ão vou fazer nada. Não vou cozinhar nada, nem lavar nada, nem arrumar minha cama!”
Já que sua mãe estava viajando, seu desejo podia ser facilmenter realizado.
Levantou-se. Foi ao banheiro assoar o nariz. Não havia papel, já que ninguém havia trocado o rolo antigo, ja esgotado. Acabou usando um guardanapo da cozinha mesmo. “No fim da na mesma!” Pensou ele.
Depois, sem pressa, foi para a sala, onde assistiu tv. “O que será que eu faço agora? Se pá vou almoçar”.
Mas, como ninguem havia comprado comida, não havia nada para cozinhar.
“Tá de boa, nem tô com tanta fome assim mesmo. Vou só beliscar umas bolachas.”
Obviamente, não havia bolacha alguma em seu armário. Ele não as havia comprado.
“Caramba, ninguém comprou nada pra essa casa! E olha aquela pilha de louça suja! Onde eu vou comer? Nem papel no banheiro eu tenho!”.
Antes de conseguir completar sua fala mental, o telefone tocou.
-Alô?
-Paulo, meu filho, bom dia!
-Bom dia mãe!
-E ai, como vai a independencia?
-Ah mãe, muito bom! Acho que não quero que você volte não. Essa liberdade é ótima!
-Que legal filho!
Enquanto sua mãe falava amenidades a respeito de sua viagem, Paulo pensava no quanto gostaria de ter o que fazer. QUALQUER coisa mesmo.
-… e não esquece de deixar a louça limpa e de comprar as coisas que eu deixei na lista, do lado do telefone.
-As mãe, na moral, eu não vou perder tempo da minha liberdade tão querida fazendo essas coisas chatas. Eu tô aproveitando esse tempo pra relaxar, pra fazer o que eu quero, sabe. Alias, tenho que desligar. Meus amigos estão subindo.
-Juizo, heim!
Paulo desligou, dirigiu-se à pia, vestiu luvas de borracha e preparou a esponja para a lavagem da louça, que secaria enquanto ele estivesse no mercado.
Como era doce a liberdade!
1 de Setembro de 2007
Autor(a): Diego
-Chega!
Todos na sala ficaram perplexos com o grito do comandante daquela pequena nave brasileira. Com que autoridade um brasileiro gritava perante o conselho da Terra?
- E quem é você? - Perguntou o Presidente da Terra, Dans Von Schwarzenegger .
- Eu sou o Capitão Inácio, comandante da nave Pururuca II.
- Muito bem, foi você que descobriu a aproximação da armada do planeta NXZero, correto?
- É isso mesmo, e enquanto vocês discutem, eles se aproximam. Meu agente infiltrado diz que eles tem uma nova arma, capaz de nos destruir.
- E o que você propõe?
- Guerra, senhor. Guerra.
- Impossível. Ninguém nunca abateu os cruzadores deles. Nós sempre nos viramos com diplomacia!
- Na verdade - Interrompeu uma voz feminina - isso não está correto.
- E quem seria você? - Perguntou o Presidente.
- Sou Nazira, piloto da nave Pururuca II.
- Muito bem, e quem foi que abateu o caça deles?
- O comandante Inácio. Eu vi com meus próprios olhos.
- Isso é verdade, comandante?
- Sim. E é por isso que eles estão a caminho…
8 de Julho de 2007
Autor(a): Diego
-Sir?
Diego acordou de sobresalto. A voz que lhe chamara era de uma aeromoça(linda), que sorriu e apontou para a janela ao vê-lo acordado. Olhou pela janela, e percebeu que ja havia pousado. O avião estava quase vazio.
Sem graça, Diego deu uma boa olhada na aeromoça, e gravou bem sua face. Saiu então do avião, entrando num onibus com mais 10 pessoas. O resto ja devia ter desembarcado. Ao entrar no salão de desembarque, o caos estava espalhado, e centenas de malas circulavam naquelas peculiares esteiras. As pessoas, desorganizadas como somente humanos conseguem ser, procuravam inutilmente sua bagagem.
Surpreendentemente, Diego encontrou sua mala com muita facilidade, e saiu daquela sala rapidamnte.
Ao sair, muitas outras pessoas esperavam seus parentes, amigos ou completos desconhecidos, muitas com placas. Procurou seu nome, encontrando-o em uma placa, segurada por uma mulher negra muito bonita, cujo penteado era um tanto estranho.
-Hey-disse ele- I’m Diego.
-Good, man! When they said your flight had been delayed I got kinda pissed. Now, come on, lets go to the van.
Saindo do aeroporto, novamente o calor fez-se notar. Que terra quente! Seguiu a mulher por um tempo, andando entre um grande congestionamento.
-Those two are south african actors- Disse ela, apontando para um negro e um branco que conversavam animadamente.
Se eles eram atores, por que não haviam fotografos ou fãs em volta deles? Antes mesmo de poder comentar, a mulher voltou a falar:
-Here he is!- Disse ela, dirigindo-se ao motorista.
Diego sentou-se ao lado do motorista, que logo disse:
-Hello, i’m Patrick!
-Hi, I’m Diego…
-Where are you from, man?
-BraSil.
-Nice! I want to go there someday!
“Que cara comunicativo”, pensou ele. No caminho, a van parou para deixar a mulher. Ao perguntar para o motorista o porquê de a mulher morar tão longe, Diego descobriu que o apartheid havia deixado muitas cicatrizes, e que a maioria dos negros ainda vivia em bairros separados.
Dentro da cidade, Diego soube que havia um shopping center bem perto de sua nova casa, o Waterfront (Foto1 Foto2) .
Para sua infelicidade, a van o deixou na porta de uma casa e foi embora. Diego estava confuso. Não achou uma campainha. O portão não abria. Então, fez o que todo brasileiro faria: gritou
-Heloooooooooo!!!!
-Yo man(Mãn), stop it.- Disse um homem com uma voz extremamente calma e grave. Pelo boné, ele parecia ser um segurança.
-Sorry. I’m Diego.
-Come inside, come inside. I’ll call someone to show you your room.
Pouco depois, uma mulher chegou.
-Hey, you are Diego, right? Ok, follow me.
O segurança pegou sua pesada mala, e foi seguindo junto ao garoto e a mulher que os guiava. Subiu uma escada, chegando à um minusculo hall com quatro portas. Uma, entreaberta, era o banheiro. As outras três supos serem quartos.
A mulher tirou um jogo de chaves do bolso, abriu a porta e falou que aquele era seu quarto.
O comodo, alias, era deprimente. Não por causa do lindo quarto na foto da internet. Nem por causa da barata morta no chão. Nem por causa do cheiro de madeira podre ou do calor. O ruim mesmo era que não havia um ventilador sequer. Diego odiava lugares abafados.
-Tha breakfast is served from 8 to 10, these keys open your door and the front gate and there is a phone downstairs. See you.- Disse a mulher, com um sotaque medonho.
Depois ela saiu, fechando a porta.
-Bom, cheguei…- Disse Diego, baixinho.
13 de Junho de 2007
Autor(a): Diego
De ônibus, Diego foi levado até o saguão do aeroporto, onde, na teoria, ele passaria pela imigração e rumaria até a área de embarques nacionais, pegando assim a conexão de Johanesburgh para Cape Town. Chegando ao tal saguão, Diego pôde contemplar uma fila, no mínimo, grande pra cacete. “Fodeu” pensou ele, “eu tenho uma hora e meia pra fazer a conexão… e nem sei que fila pegar”.
Entrou numa fila aleatória, perguntando-se se estava na correta. Dez minutos depois, teve a impressão de ter ouvido algo em português. Apurou a audição, percebendo assim um grupo com quatro brasileiros, numa outra fila. Saiu de sua fila e foi falar com eles.
- Vocês são brasileiros?
- Sim - respondeu um deles - você sabe se é essa a fila que a gente tem que pegar?
- Sei lá. Num tem pra quem perguntar.
- Verdade.
Conversaram amenidades por cerca de uma hora, e Diego descobriu que eles iam para a mesma cidade que ele, porém para outra escola. Diego percebeu que não tinha andado nem quatro metros na fila.
- Gente - disse ele - faltam vinte minutos pro vôo sair…
Sem nada dizer, um dos brasileiros separou-se dos demais, indo ter com um segurança. Foi levado, então, para o começo da fila. Dois minutos depois, voltou correndo, gritando:
- A gente tá do lado errado do aeroporto!
- Como assim? - Perguntou Diego.
- É por aquele corredor- Indicou o homem.
Sem nada dizer, os cinco sairam correndo, carregando mochilas desajeitadamente. Ao olhar para trás, Diego percebeu que não eram os únicos naquela situação, e que os gritos de seu novo amigo haviam surtido efeito em varias outras pessoas. Inúmeros homens, mulheres e crianças os seguiam, todos correndo. O garoto olhou o relógio. Dez minutos para a decolagem.
Chegaram então à mais cabines, estas sem fila nenhuma.
- Vamos um em cada uma. A gente se encontra do outro lado - disse um dos rapazes.
Diego foi para a cabine na extrema esquerda. O atendente era um negro com uma cara extremamente simpática.
- How you doing? - Disse o atendente.
- Fine. Fast please, my flight is taking off in seven minutes! - Disse ele, surpreendendo-se com a frase.
- Ok, ok… why are you here?
- To study english.
- Fine.
Depois, o atendente fuzou no computador durante um período de quinze segundos, arrastados como horas.
- There you go - disse ele, devolvendo o passaporte para o garoto - Good luck catching that plane.
Passando pela cabine, Diego procurou por seus amigos. Ao invés de encontrá-los, porém, ele encontrou sua mala. “Fodeu”, pensou ele “agora eu tenho que fazer o check in de novo”.
Sem perder mais tempo, pegou sua mala e correu pelos portões, emputecendo-se ainda mais com um novo corredor, extremamente extenso, com placas que iam até a plataforma de numero 118.
- You goin’ to Cape Town? - Disse um homem negro, com dreads enormes, vestido de laranja, identificado como “assistance”.
- Yes - Respondeu ele.
- Gimme that bag, man (mãn). Folow me.
Depois disso, o homem lançou-se por escadas rolantes, as quais o garoto nem sequer tinha visto, já que estas estavam na lateral logo atrás dele.
- You are goin’ to give me a nice tip for this! - Disse o homem.
- As long as you take me to the plane on time - Respondeu ele, pensando que não ligava de pagar 10 dólares desde que não precisasse passar pela burocracia de encontrar outro vôo.
Ao fim da escada, mais um saguão. O homem saiu pelas portas do aeroporto, o que fez Diego achar que ele estava sendo roubado.
- Come on, man(mãn), tou wastin’ time!
Depois de seguir o homem por uma enorme calçada, Diego chegou à área de vôos nacionais (da calçada, podia-se ver grandes obras, que mais tarde Diego soube ser a ampliação do aeroporto, o que justificou ele ter tido que sair do aeroporto para ir à área nacional).
O homem levou-o direto até o check-in, furando a fila e descontentando muita gente.
- Now listen: you have to go through those gates, and then proceed to platform 14. Hurry.
Diego deu o dinheiro prometido, e correu como nunca, já tirando o cinto. Passou pelo portão, e rumou até a plataforma 14. “Ótimo, não troquei dinheiro”, pensou ele.
Ao chegar lá, porem, encontrou seus amigos sentados.” Perdi o Vôo”, pensou ele.
- Que houve?
- Falta de combustível… Nosso vôo sai daqui duas horas e meia.
Diego não sabia se ria ou se chorava Então riu.
- Por que vocês não me esperaram? - Perguntou ele.
- Cara, você passou por lá antes de nós. Aliás, você percebeu que nossas malas estavam lá?
- Percebi…
O tempo de espera passou rápido, com conversas animadas e muitas risadas.
Ao entrar no avião, Diego estava exausto, e nem viu a decolagem. Seu ultimo pensamento foi: “Será que, depois de duas horas e meia de atraso, ainda tem alguém me esperando lá?”.
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