8 de Julho de 2007

Afrotrip VI: Arrival

Autor(a): Diego

-Sir?

Diego acordou de sobresalto. A voz que lhe chamara era de uma aeromoça(linda), que sorriu e apontou para a janela ao vê-lo acordado. Olhou pela janela, e percebeu que ja havia pousado. O avião estava quase vazio.

Sem graça, Diego deu uma boa olhada na aeromoça, e gravou bem sua face. Saiu então do avião, entrando num onibus com mais 10 pessoas. O resto ja devia ter desembarcado. Ao entrar no salão de desembarque, o caos estava espalhado, e centenas de malas circulavam naquelas peculiares esteiras. As pessoas, desorganizadas como somente humanos conseguem ser, procuravam inutilmente sua bagagem.

Surpreendentemente, Diego encontrou sua mala com muita facilidade, e saiu daquela sala rapidamnte.

Ao sair, muitas outras pessoas esperavam seus parentes, amigos ou completos desconhecidos, muitas com placas. Procurou seu nome, encontrando-o em uma placa, segurada por uma mulher negra muito bonita, cujo penteado era um tanto estranho.

-Hey-disse ele- I’m Diego.

-Good, man! When they said your flight had been delayed I got kinda pissed. Now, come on, lets go to the van.

Saindo do aeroporto, novamente o calor fez-se notar. Que terra quente! Seguiu a mulher por um tempo, andando entre um grande congestionamento.

-Those two are south african actors- Disse ela, apontando para um negro e um branco que conversavam animadamente.

Se eles eram atores, por que não haviam fotografos ou fãs em volta deles? Antes mesmo de poder comentar, a mulher voltou a falar:

-Here he is!- Disse ela, dirigindo-se ao motorista.

Diego sentou-se ao lado do motorista, que logo disse:

-Hello, i’m Patrick!

-Hi, I’m Diego…

-Where are you from, man?

-BraSil.

-Nice! I want to go there someday!

“Que cara comunicativo”, pensou ele. No caminho, a van parou para deixar a mulher. Ao perguntar para o motorista o porquê de a mulher morar tão longe, Diego descobriu que o apartheid havia deixado muitas cicatrizes, e que a maioria dos negros ainda vivia em bairros separados.

Dentro da cidade, Diego soube que havia um shopping center bem perto de sua nova casa, o Waterfront (Foto1 Foto2) .

Para sua infelicidade, a van o deixou na porta de uma casa e foi embora. Diego estava confuso. Não achou uma campainha. O portão não abria. Então, fez o que todo brasileiro faria: gritou

-Heloooooooooo!!!!

-Yo man(Mãn), stop it.- Disse um homem com uma voz extremamente calma e grave. Pelo boné, ele parecia ser um segurança.

-Sorry. I’m Diego.

-Come inside, come inside. I’ll call someone to show you your room.

Pouco depois, uma mulher chegou.

-Hey, you are Diego, right? Ok, follow me.

O segurança pegou sua pesada mala, e foi seguindo junto ao garoto e a mulher que os guiava. Subiu uma escada, chegando à um minusculo hall com quatro portas. Uma, entreaberta, era o banheiro. As outras três supos serem quartos.

A mulher tirou um jogo de chaves do bolso, abriu a porta e falou que aquele era seu quarto.

O comodo, alias, era deprimente. Não por causa do lindo quarto na foto da internet. Nem por causa da barata morta no chão. Nem por causa do cheiro de madeira podre ou do calor. O ruim mesmo era que não havia um ventilador sequer. Diego odiava lugares abafados.

-Tha breakfast is served from 8 to 10, these keys open your door and the front gate and there is a phone downstairs. See you.- Disse a mulher, com um sotaque medonho.

Depois ela saiu, fechando a porta.

-Bom, cheguei…- Disse Diego, baixinho.

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