Afrotrip - parte IV
Autor(a): Diego
Diego estava passado. Sua “poltrona” era a última do avião. Última mesmo. Uma série de pensamentos pareciam gritar dentro de sua cabeça. “Como será lá na África?”, “Será que a cidade é grande?”, “Quais filmes eu vou poder assistir?”, e outros tantos.
Passados cerca de quinze minutos desde a entrada, o comandante disse algo inaudível, mas Diego teve certeza que era o aviso de decolagem. Não deu outra. Em menos de sete segundos o avião iniciou a manobra de decolagem. Foi então que um pensamento no mínimo perturbador o surpreendeu: Diego não conseguia se imaginar na África. Desde pequeno, quando tal sentimento o possuía, algo dava errado e ele não conseguia ir onde devia. “Não deve ser nada”, pensou ele “Em doze horas eu estarei lá”.
Mais calmo, começou a desbravar o aparato plugado à parte traseira da poltrona da frente, procurando algum filme para ver. Logo de cara, uma surpresa: havia alguns filmes que nem sequer haviam chegado aos cinemas brasileiros. Escolheu Wedding Crashers, pois os atores eram de seu agrado. A tela era muito boa, mas o ângulo de visão era muito restrito, de maneira que a pessoa ao lado jamais saberia o que você assistia.
Pouco mais de quinze minutos depois, surgiu o primeiro problema: o desconforto. O espaço reservado às pernas era realmente bem pequeno, de modo que ele se sentia espremido. Mas não deu atenção a isso, e continuou assistindo seu filme, recusando duas vezes a bebida oferecida pela aeromoça, cujo sotaque era carregadíssimo.
Na hora do jantar, escolheu frango, que acompanhava um macarrão com um molho incrivelmente gostoso e uma porção de legumes. Depois pegou um livro dentro de sua mochila (Bento, do autor André Vianco) e começou a ler. Ficou lendo por cerca de duas horas, até que percebeu que ninguém a sua volta estava acordado. Resolveu então dormir também. “Quem sabe assim a viagem não passa mais rapido” pensou ele, tentando movimentar as pernas, já formigantes. Mas não conseguiu. Não havia nele nem sequer um vestígio de sono, o que realmente o incomodou. Tornou a ligar o aparelho de tv e escolheu outro filme, que o entreteve por mais duas horas. Depois disso, contentou-se em olhas pela janela, apreciando um lindo amanhecer, com direito a sol vermelho e todas as coisas que se vê em filmes melosos.
Finalmente, depois de quase doze horas sentado, ouviu o comandante dizer:
-Good morning, this is your commander. We are now beginning the landing precedures - Depois disso, nada mais era compreensível.
Quinze minutos depois, o avião estava pousado. Diego não precisaria pegar sua mala, já que esta ia direto para Cape Town, o que lhe deixava uma hora e meia para desembarcar e ir até o local de embarque. Ao descer do avião, um forte calor foi sentido. “Os ares africanos são parecidos com os brasileiros…”
