31 de Maio de 2008

O fim? - Parte I - Fim do mundo

Autor(a): CoN

Quando tive certeza que o mundo iria acabar, minha primeira sensaçao foi de completa surpresa. Nunca entendi muito bem o que era o mundo ou por que eu deveria estar nele; contudo, algo me dizia que aqui eu deveria permanecer e coisas eu deveria fazer. Mas, a despeito de tudo que me era dito (e eu nem sabia ao certo quem me dizia), o mundo estava de fato acabando, e nada mudaria isso.

Me peguei pensando no que eu havia feito em vida. Muito pouco, obviamente. Afinal, aquilo que cresce dentro de um molde não tem grandes problemas em vida, mas também não tem grandes conquistas. E, como muitos outros, cresci em um molde. Me tornei aquilo que esperavam de mim, e não aquilo que eu queria.

Deitei-me no chão, enquanto alguns cavaleiros passavam, olhei as estrelas. Tão distantes, conseguiram estar mais presentes em minha vida do que muitos que me rodearam. Mas agora não era hora de me despedir delas: as veria em breve; a despedida agora deveria ser de outros.

A cavalaria passara, e agora vinham alguns estudiosos de eventos estranhos (ou assim eu os chamava). O mundo estava acabando, pelo que me fora informado, tinha mais 20 ou 21 horas antes do último suspiro. Levantei-me do chão empoeirado e corri até a estalagem. Lá encontraria (se assim a sorte quisesse) alguns antigos amigos. Os estudiosos de eventos estranhos levavam suas maletas e lupas pra lugares que não encontrariam nada interessante, e eu me levava à estalagem, que ficava do outro lado da vila

No caminho, porém, outro daqueles clarões iluminaram minha mente. Cego por uns instantes, ajoelhei no chão, sentindo pontadas na cabeça, sem conseguir respirar direito. A visão que tive foi do mesmo velho barbado, com a mesma roupa surrada, e o mesmo cajado no formato de cobra de antes. Nesse momento porém, ele estava calmo.

Disse-me apenas: “Fez seu trabalho. A limpeza começará. Mas anime-se: nem todos irão, e você, meu amigo, será um dos que ficará.” Parou de falar, e apontou o cajado pro fundo da minha cabeça.

Cai desmaiado

(continua)



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