19 de Outubro de 2007

O pior não é ser assaltado…

Autor(a): CoN

Era meio dia e dez, um sol desgraçado queimava o cocoruto da cabeça semi-calva do rapaz jovem que andava apressado pelas ruas movimentadas. Suava bastante dentro de seu terno azul marinho, e sentiu-se extremamente bem quando entrou no ambiente refrigerado do banco.

Pegou a longa fila do caixa. Tinha se oferecido (e já estava arrependido) para depositar um dinheiro para seu chefe, já que ele passaria perto do banco. Um senhor idoso brigava no caixa por algum motivo, enquanto mais oito pessoas na fila esperavam sua vez.

Enquanto deixava vagar seu pensamento por lugares onde gostaria de estar naquele momento e coisas que gostaria de estar fazendo, ouviu um burburinho que o trouxe de volta. E tudo aconteceu de repente.

Gritos, um tiro, e quatro figuras encapuzadas anunciaram o assalto. Todos pro chão. Caiu e bateu a cabeça com força em alguma quina, mas nem ligou. Seu coração estava disparado, nunca havia passado por uma situação de assalto antes. Suava frio agora, queria mais que tudo poder estar de volta à rua quente novamente, longe dali. Clima tenso, os homens encapuzados retiravam dinheiro do caixa agora, enquanto o segurança jazia perto da porta com uma contusão na cabeça.

Sirenes tocaram lá fora! Os bandidos perceberam o problema, rapidamente puxaram uns e outros para se protegerem, escudo humano. A polícia cercou o prédio. Na cabeça do jovem executivo, um misto de tranqüilidade e frustração lhe abatia. A polícia nunca lhe inspirou confiança, mas agora era sua única alternativa de sair bem daquela situação. Sentia a imagem começar a rodar, talvez de medo ou desespero.

A polícia anunciou qualquer coisa lá fora, ele não ouviu. Não era pra ele mesmo. Os bandidos se comunicaram, começaram uma negociação. De vez em quando gritavam com as pessoas no chão, deram mais dois ou três tiros para amedrontar. O jovem sentia-se atordoado, não sabia o que estava acontecendo. A situação era desesperadora, sua cabeça doía e ele estava com medo, mas isso não era motivo para ele estar fraco, com a vista escurecendo e tremendo. Sua cabeça doía! Ele lembrou-se, passou a mão onde bateu, e sentiu uma grande quantidade de sangue. O ferimento havia sido grave. Pensou em tentar dizer isso aos bandidos, mas, por medo ou falta de forças, não o fez.

O tarde se estendeu, a situação acabou resolvida. Os bandidos se entregaram, a polícia entrou no banco. Os reféns foram libertados. O dinheiro devolvido. O segurança, que havia sido imobilizado e atacado com uma coronhada na cabeça foi levado a um hospital, mas sem danos graves. E o corpo de um jovem executivo morto foi levado para reconhecimento pela família. Aparentemente, morrera por perder muito sangue, e a polícia ainda não sabia em que momento os bandidos o feriram, já que os mesmos inventaram uma história mentirosa sobre o homem ter se machucado na queda ao chão.

13 de Outubro de 2007

Imparcialidade?

Autor(a): Bam

Imparcial: que julga sem paixão

Não viemos à Terra para julgar, mas caso isso ocorrese, não devíamos fazê-lo sem paixão, sentimento tão intrínseco à essência humana. Então até qual ponto conseguimos ser imparcial? Até qual ponto conseguimos não nos afetar pelo sentimento alheio?

O que fazer em uma situação que requer imparcialidade, um sentimento - não, não pode ser chamado de sentimento ou qualquer coisa que envolva emoções - de máquinas incapazes da paixão. Como falar da minha imparcialidade?

Não, eu não tenho essa tal de imparcialidade. Eu só tenho uma mistura de emoções, como se fossem cores primárias que viram secundárias e no final parecem culminar sempre no cinza.

Como não tomar as dores de Castro Alves no navio negreiro, como não pensar com o nosso sistema límbico? É por isso que a minha suposta imparcialidade vai até onde minhas emoções permitem.

6 de Outubro de 2007

Cotidiano trivial

Autor(a): Fábio (www)

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Parecia para ele mais um dia comum. Levantou-se, foi sonolento até a cozinha, preparou seu leite com chocolate, tudo da maneira que sempre fazia. Porém notou com interesse o brilho da caneca e do leite, reflexo da luz que entrava pelas janelas altas da cozinha, não se demorou nesse interesse, apenas notou. Mais tarde, ao se vestir, se interessou rapidamente também pela maneira em que as fibras de sua camiseta se entrelaçavam para formar o todo. Estranhou esse novo interesse que ele estava tendo pelas coisas a sua volta, mas gostou.

O resto do dia transcorreu da mesma maneira que a manhã: perfeitamente normal. Perfeitamente não, simplesmente normal. Nada de extraordinário, apenas tudo o que era de costume estava naquele dia. O som dos carros, o vento fresco da tarde, as pessoas com seus jeitos peculiares, a caneta com a qual escrevia, simplesmente tudo.

Mas naquele dia o simples foi notado, finalmente o trivial se perdera e ele conseguiu sair do piloto automático que estava a sua vida, notando o que a compunha, mesmo que sua rotina em nada tenha sido alterada.



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