28 de Fevereiro de 2007

Como Einstein

Autor(a): Bam

Por que gostamos das pessoas?! É, aquele gostar mesmo. Não como um simples amigo, como um possível amante.

Para mim essa sempre foi uma das maiores dúvidas da humanidade! Gostamos por causa da coerção econônima?! (Ah…eu adoro falar essa expressão, me sinto tão inteligente). Por causa dos padrões da sociedade?! Por causa do grupo de amigos?! Por fatores biológicos que impõem que gostemos das pessoas mais simétricas?! Por feromônios exalados?! Por conexões de vidas passadas?!

Cada vez eu formulo uma novo hipótese. E esses dias pensei… como Einstein descobriu tanta coisa?! Pirando na batatinha, claro. E eu, como boa discípula, resolvi seguir seu exemplo!

Decidi imaginar que todos nós somos esquizofrênicos e tempos múltiplas personalidades inconscientemente.

“E aí, o que acontece?! “

Entramos em conflito, claro, porque existem milhões de novos palpiteirinhos fora e dentro de nós.

“Unhh, e o que será? Como eles decidem se gostamos das pessoas?”

Pois é… aí que a coisa fica preta! Precisamos esperar uma concordância de milhões de eus internos… e tem mais um problema!!!! Eles podem concordar que gostamos de uma das nossas criações esquizofrênicas… Então temos que esperar a superação do baque de apaixonarmo-nos por algo que não existe…

Talvez pirar na batatinha só tenha resolvido para o Einstein e não para meros mortais…

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22 de Fevereiro de 2007

Genesis

Autor(a): CoN

Era uma vez, um cara estranho. Não posso definir exatamente como ele era fisicamente, mas posso afirmar que ele era parecido conosco, assim, meio humano. Mas, de humano, ele tinha pouco. Aliás, muito pouco.

Esse cara morava num lugar estranho. Sabe, não era o inferno, nem o céu, pois nada disso existia ainda. Era simplesmente o nada, mas também o tudo. Era Lá.

Só que Lá era um lugar sem graça pra caramba. Então, ele resolveu agitar um pouco as coisas. Era uma segunda-feira, mas ninguém sabia disso porque as segundas-feiras ainda não tinham sido inventadas. Mas tava um puta clima de segunda-feira, não tinha como ser outro dia. Então, o cara estranho a quem eu me referi até agora resolveu criar o tempo, e, que um raio parta-lhe a cabeça!, inventou as segundas-feiras.

Claro que não parou por aí, ele foi em frente, e o resto dos dias veio por conseqüência. As cagadas dele também não pararam por aí. Como ele percebeu que inventar as segundas-feiras havia sido um péssimo negócio porque isso trazia junto a ressaca do domingo, a volta ao trabalho, e todos aqueles problemas que as segundas tem e que vocês sabem bem quais são, ele resolveu se entreter um bocadinho, dando uma de construtor. Ele percebeu que as coisas por Lá tavam muito iguais, porque Lá era tudo e não era nada, e resolveu criar o céu, e viu que céu sem terra não fazia o menor sentido. E adivinha o que ele criou então?

Mas isso foi outra tremenda cagada. O céu só servia pra encher de nuvem quando ele queria sol, ou ter um baita sol quando ele queria sombra, ou algo do tipo. E a terra então, nem se fala, uma sujerada só, pra tudo quanto é lado, aquela poeira, terra vermelha, uma esporquice.

Esse era o ponto dele perceber que o negócio dele definitivamente não era a construção civil. Mas, teimoso do jeito que era, lá foi ele tentar, mais uma vez consertar a cagada que tinha feito, e, conforme os dias foram passando, ele só piorou as coisas. Primeiro, inventou de enxer a terra de água, pra tentar dar uma limpada na poeirada, e putz, ele lotou dois terço do que ele tinha criado de água! O resto, que ficou descoberto, ele encheu de plantas.

Depois, ele ainda teve a ousadia de criar um monte de bichos feios, peludos, fedidos, que só sabiam correr atrás um dos outros, gritar, se bater ou outras coisas chatas e irritantes. Além disso, fez todos esses bichos de forma com que nenhum deles fosse inteligente, soubesse falar ou fazer algo que prestasse ao mundo.

Bom, os que assistiam à esse mar de besteiras (boatos rolam de que seus irmãos mais velhos estavam assistindo) pensaram que aquela era hora que ele iria parar, já fazia seis dias que ele tava nessa de tentar fazer o nada parecer alguma coisa. Realmente, passou pela cabeça dele, por algum momento, parar tudo por ali. Só que, sabem como é, ninguém deixa uma cagada pela metade, e toda a merda que ele tinha feito até então não era nada perto do que ele estava prestes a fazer.

Quando ele viu tudo aquilo pronto, ele pensou que devia por alguém pra tomar conta. Ah, que idéia estúpida. Pegou um pouco de barro, fez um boneco humanóide e, vualá! (sintam que eu domino o francês), com um sopro deu vida ao coitado.

Depois disso, amigos, o mundo nunca mais foi o mesmo.

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15 de Fevereiro de 2007

Afrotrip

Autor(a): Diego

- Mas me fala cara, como vai ser essa viagem? - Perguntou animadamente o rapaz de cerca de 20 anos.

- Como assim?- Rebateu o jovem questionado.

- Me explica como vai ser o itinerário.

O garoto pensou. Não tinha pensado muito no assunto ultimamente, talvez como uma maneira de não se apavorar. A sua volta haviam duas primas, o tio, a tia, mãe, pai, irmão, namorados das primas, o avô, a esposa do avô e sua namorada.

- Vai ser mais ou menos assim… - Fez uma pausa para puxar o ar - …Eu vou acordar amanhã às 6, vou de carro até São Paulo e devo almoçar com a minha avó. Meu vôo sai as 18 e 30. Lá pelas 9 da manha, horário local, eu chego em Johanesburgo, onde pego uma conexão para a Cidade do Cabo. Devo chegar lá ao meio dia. Daí vai ter alguém me esperando pra levar pra escola.

- Ninguém merece estudar nas férias heim - Disse o namorado da outra prima.

- Eu não ligo, vou estudar só inglês, que é uma coisa que eu gosto bastante. E também, eu não tenho que ir todos os dias pra aula.

- Tem sim - interrompeu a mãe - Eu paguei para você ir todos os dias, então você vai.

- Você num tá com medo? - Perguntou a prima mais velha.

- Não. Eu tô um pouco ansioso, mas com medo mesmo acho que não.

- Escuta meu filho, você leva um pouco de dinheiro trocado na carteira pra trocar logo que você chegar no aeroporto lá da África. O resto tem que ir naquela bolsinha que vai dentro da calça - Disse o avô, que havia feito uma viagem similar pouco tempo antes.

- Pode deixar, eu acho que já ouvi isso umas mil vezes.

- Me fala uma coisa - disse a prima mais nova - Por que justo a África? Normalmente as pessoas vão para o Canadá ou Nova Zelândia nos intercâmbios.

- É justamente por isso. Fora que eu acho que na África eu vou ver mais coisas bonitas.

Meia hora depois, todos exceto pai, mãe, irmão e namorada já haviam ido embora. O garoto e sua namorada estavam sentados conversando, quando o celular dela tocou.

- Tá bom mãe, tô descendo.

Ambos desceram e se olharam longamente.

- Promete que não vai fazer nada errado lá? - Perguntou a garota.

- Lógico.

Eles se beijaram e a garota saiu do prédio. Foi então que, tão suavemente quanto um tapa na cara, o garoto percebeu: agora, só a veria em dois meses.

Subiu, e ao entrar em casa percebeu que todos já haviam se deitado. Foi até seu quarto, onde havia uma enorme mala sobre a cama. Olhou o MSN. Ninguém on-line. Resolveu então ir dormir também. O dia seguinte seria muito, muito interessante.

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10 de Fevereiro de 2007

É tempo de mudanças…

Autor(a): CoN

É incrível como um simples comentário pode nos fazer mergulhar em pensamentos confusos e sentimentos nostálgicos, fazer parecer que o motivo de felicidade na verdade é motivo para tristeza, e fazer-nos pensar que nada é como devia ser.

Otávio estava arrumando suas coisas para a mudança. Esperou muito por aqueles dias, os dias da mudança, os dias de arrumar tudo, festejar com a família, escolher onde morar, conhecer pessoas novas, lugares novos.

A mudança estava prevista à três anos, desde quando seu pai arrumara aquele emprego misterioso e disse que em três anos seria promovido e teriam que se mudar. A promoção, e conseqüente mudança, trariam benefícios para toda a família: mais dinheiro para casa, melhores condições de moradia, uma escola melhor, mais opções de lazer.

O garoto tinha apenas 11 anos quando chegou o tempo de mudar, mas se sentia muito feliz. Naquele momento, andava pela rua, em direção à padaria, absorto mais uma vez em pensamentos sobre como seria sua nova vida, quando um de seus amigos da vizinhança lhe parou e começou a conversar. Papo vai, papo vem, chegaram ao assunto da mudança.

O amigo, quase que um irmão pra Otávio, se sentia feliz pelo amigo ter uma chance de melhorar de vida, mas não deixava transparecer a tristeza que sentia ao saber que se separariam. Ao fim, quase terminando o papo, já que Otávio ainda tinha 10 pãezinhos pra comprar, o amigo deixa escapar “O que foram três anos hein? Pois é, o tempo passa…”.

Embora simples, o comentário fez Otávio refletir. Começou a se lembrar, meio sem prestar atenção à rua que atravessava, quanto se divertira com o pessoal da vizinhança; lembrou-se, sem perceber que o padeiro lhe servia os pães, das vezes que eles tinham tocado a campainha dos vizinhos e saído correndo; recordou-se, desatento ao fato de ter voltado pra casa e estar subindo as escadas, das risadas, das brigas, das conversas bizarras e de todas as coisas que havia feito com esses amigos tão queridos.

E deitado em sua cama, mesmo sabendo que a mudança era inevitável, e mesmo sabendo que ela vinha pro seu bem, e mesmo sabendo que teve tempo para se preparar pra ela, e mesmo sabendo que tudo isso fazia parte da vida, mesmo assim, Otávio fechou os olhos e chorou, desejando do fundo do coração poder não se mudar, pra ficar, mais um dia que fosse, com seus amigos.

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